
Crédito: Vladeep/Canva
Uma notícia compartilhada nas redes sociais afirma que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e varíola) estaria associada ao autismo. Isso gerou dúvidas na população sobre a segurança das vacinas para crianças. O Alumia efetuou a checagem e certificou que a informação é falsa.
O Alumia apurou e buscou esclarecimentos junto a diferentes entidades científicas de saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a relação entre as vacinas e o autismo não tem qualquer fundamento científico e que todas as vacinas registradas no Brasil demonstraram seus aspectos de segurança e eficácia para que possam ser utilizadas pela população.
A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) afirmou que as vacinas são seguras e eficazes na prevenção de doenças graves e não causam autismo. Já o Ministério da Saúde publicou uma notícia afirmando que as vacinas infantis não têm nada relacionado com o autismo.
A vacinação infantil é muito importante e o Ministério de Saúde afirma que as vacinas são uma das principais medidas de saúde adotadas. A imunização tem ajudado a proteger as crianças contra diversas doenças, impedindo o seu agravamento. E a vacinação se torna mais importante com crianças porque elas ainda estão em fase de desenvolvimento do seu sistema imunológico, como no caso dos bebês.
Boato surgiu de estudo fraudulento
A médica pediatra Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explicou como surgiu a associação entre a vacina e o autismo. Segundo a especialista, o boato surgiu depois de um artigo na revista científica britânica The Lancet, associando a vacina tríplice viral com o autismo. “Esse estudo foi checado no mundo inteiro por várias agências regulatórias e o que se descobriu era que era fraudulento”, explicou.
O artigo foi publicado em 1998 na revista pelo ex-médico Andrew Wakefield. O trabalho analisava apenas 12 crianças e sugeria uma ligação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento de autismo. Investigações posteriores revelaram que Wakefield manipulou dados dos pacientes e tinha conflitos de interesse financeiros não declarados.

Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido cassou o registro médico de Wakefield por má conduta profissional e desonestidade. Mônica ressaltou que a intenção do estudo era comercial, ou seja, vender uma vacina nova. “Foi um estudo fraudulento com interesses, sendo esse trabalho científico retirado dos anais da revista”, lembrou Mônica. Doze anos depois da publicação, em 2010, a revista The Lancet removeu o artigo do site.
Apuração: Deborah Nascimento




